Valores de Direita para Portugal por Manuel Rezende

Se no texto anterior analisamos o quão inútil era o foco de tantos movimentos nacionalistas em torno das questões raciais e migratórias, aproveitemos também o mote para discutir o carácter inócuo dos movimentos conservadores em Portugal, desde os independentes até aos ligados à partidocracia.

Não falta aos nossos compatriotas conservadores boa vontade, ainda que partilhem com os nacionalistas a enorme falta de método na sua militância. O que defendem os conservadores portugueses, do PSD ao CDS, dos católicos aos maçons, dos monárquicos aos republicanos?

Defendem sempre a destruição do estado e a desresponsabilização da classe política.

Defendem os Pedro Passos Coelho desta vida e todos os jotinhas esvaziados de mérito e sentido de estado que os seguem, porque são facilmente impressionáveis e porque não conseguem esconder uma enorme e entusiástica vontade de participar no grande jogo da política, dos ministérios, do Terreiro do Paço e dos protocolos de Estado.

O leitor tem de compreender que o intelectual conservador, neste país, é como a criança a quem lhe roubaram, desde os anos 70, as promessas de uma infância feliz. Por isso é que os poucos conservadores portugueses que se manifestam publicamente em Portugal, muitos deles cronistas e assessores, alguns deles até escrevem ou escreveram neste mesmo jornal, se deixam enganar continuamente pelos nados-mortos da direita democrática portuguesa.

É ver a procissão de desilusões com os Cavaco Silva, os Rui Rio, os Santana Lopes, etc.

Por isso, impomos desde já um dos valores para uma Direita para o século XXI – apoiar como líderes homens feitos, homens do intelecto, do trabalho, até mesmo da fortuna, mas que tenham obtido o seu valor fora do cursus honorum podre da política portuguesa. Ou seja, não queremos mais as escumalha jotinha que tem vindo a surgir armada em Dom Sebastião de calça bege.

E que mais defendem os conservadores portugueses?

Defendem este grotesco estado de coisas que se vê em Portugal quando a coisa pública se confunde com o negócio privado – saliente-se o exemplo das PPP’s, o negócio ruinoso das parcerias público privadas que mais não é do que o mais vergonhoso grilhão à volta dos nossos Orçamentos de Estado.

Ou não foi mesmo isso que vimos, há uns anos atrás, quando tantos católicos, tantos liberal-conservadores, acorreram em defesa da subsidio-dependência dos colégios privados em relação ao Estado Português? A promiscuidade entre o que é público e o que é privado não parece chocar imensamente aqueles que aplaudiram a privatização dos CTT, uma das poucas empresas públicas que dava lucro ao Estado.

O que nos leva a um outro princípio para uma direita portuguesa: as nacionalizações e as privatizações são ferramentas do Estado Português para promover o que é melhor e mais útil à continuidade e prosperidade do Estado português. Ou seja, a direita portuguesa não se deve vergar aos ditames de estatistas e liberais e fazer destas ferramentas fins em si mesmas. Mais importante que corresponder a uma utopia de Estado, é viver num Estado onde não existem abusos da parte dos privados sobre o Bem Comum nem abusos dos governantes sobre os privados.

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