Um nacionalismo para Portugal por Manuel Rezende

O surgimento de novas tendências políticas anti-globalização no cenário político do mundo ocidental está a dar, lentamente, os seus frutos em Portugal, levando a um ressurgimento da área nacionalista portuguesa. Este ressurgimento é ideológico e demográfico, sendo em alguns casos notável o interesse das gerações mais novas num discurso contrário ao das doutrinas políticas do regime.

Em Portugal não falta tradição nacionalista, pelo que não faltam referências intelectuais e exemplos de patriotismo prático disponíveis para iluminar o caminho dos mais novos e dos mais velhos. O grande problema que o nacionalismo português enfrenta no novo milénio é a ausência de uma praxis nacionalista, ou seja, o vazio que está no lugar do devido legado que as anteriores gerações haviam de ter deixado aos mais novos.

Com esta falta de legado, de tradição oral e práticas políticas, arriscamo-nos a ver a área nacionalista portuguesa cada vez mais invadida por ideias que nos são estranhas e as monomanias do passado ainda mais reforçadas pelos preconceitos e obsessões de outros movimentos.

O grande inimigo de um nacionalismo português é o pendor étnico que domina tantos movimentos nacionalistas em Portugal. Se é verdade que o património genético de um povo é, sem medo de redundâncias, património, logo, imprescindível para uma identidade, a insistência em referir este ponto em particular peca por excessiva e desenquadrada da realidade. O problema de Portugal não está numa hipotética invasão estrangeira sancionada por um governo traidor. Insistir neste problema só colabora em dar aos nacionalistas em Portugal e aos seus movimentos um ar folclórico que só nos enche de embaraço.

Infelizmente não faltam os que se impressionam com os pequenos retalhistas indianos que invadiram certas zonas de Lisboa. Com todos os danos que esse tipo de comércio faz à economia local, dificilmente podemos comparar Lisboa a Londres no que toca à substituição de populações. Além de que o nacionalismo português tem nas suas raízes um forte espírito rural – focarmo-nos num problema urbano (pior, meramente lisboeta) é perder de vista o espectro nacional e os problemas que afectam o quotidiano dos portugueses.

Outro problema que afecta o nacionalismo português é o de, na ausência da narrativa racial, não saber de falar de mais nada. O nacionalista português não tem uma opinião sobre política económica. Quando a tem, é pavorosa. Divide-se entre os que desprezam os sindicatos e todas as instituições do Estado, querendo desbastar a coisa pública à base de privatizações a eito e aqueles que sonham numa espécie de socialismo romântico à moda do vinténio pós-primeira guerra mundial. Nestas ideias não falta aquele mal do nacionalismo português que consiste na brutalidade das paixões e dos juízos toscos.

A doença estatista de muitos dos nossos movimentos nacionalistas, assim como a loucura da homogeneidade no estilo, com fardas da mesma cor (sempre negro, numa espécie de desfile folclórico do III Reich) e baldeiras desfraldadas em coreografia norte-coreana só afasta quem é verdadeiramente o alvo de um verdadeiro movimento político: o português habitual. O português habitual que por muito que lide mal com a livre-competição e tenha um gosto pelo corporativismo estatal não pode, nas palavras de um grande estatista, “encostar-se ao Estado”. E é no sentido das necessidades do português que deve evoluir o nosso nacionalismo para que saia, de uma vez por todas, do estatuto de sub-grupo que assume nos dias que correm.

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