O Antes e o Depois

Antes desta Pandemia e muito antes de sequer ouvirmos falar em COVID19 ou coronavírus, todos nós tínhamos as nossas rotinas, as idas aos supermercados, ao centro comercial, ver a bola, convívio com familiares e amigos, etc. Estas rotinas foram subitamente interrompidas por algo que não conseguimos ver, um vírus, quem diria que uma coisa tão pequenina iria por a humanidade "na ordem", menos crimes, menos poluição, menos terrorismo, suspensão de conflitos, etc. Assim que o vírus saiu da China não sabendo obedecer à nossa ordem mundial quotidiana, soaram os alarmes. A globalização e o mundialismo tem destas coisas, tal como foi benéfico para muitas outras, também acaba por ser propício a estas menos boas, expondo a nossa fragilidade enquanto seres humanos. Fala-se que este vírus foi criado em laboratórios de pesquisa de armas biológicas e esta pandemia foi um teste, possivelmente, talvez, mas uma coisa é certa, se o intuito era testar uma arma biológica e registar todas as suas consequências, então os seus autores alcançaram um sucesso tremendo. Mais que a mortandade, esta Pandemia obrigará todos os actores a repensar a globalização e o fim de barreiras, e eu sinceramente acredito que todo o pânico criado, alavancado pelo sensacionalismo mediático, pelo isolamento, a desconfiança em relação próximo, vai ficar vincado na memória de todos. Tudo isto vai alterar a nossa forma de vida, vai-nos tornar talvez exageradamente mais responsáveis, mais proteccionistas e de certa forma irá também exacerbar o Patriotismo, e digo isto com convicção porque na História temos exemplos disso, basta olharmos para o que se seguiu à última Pandemia de 1918 da Gripe Espanhola, as barreiras físicas, os proteccionismos, os nacionalismos foram progressivamente ganhando terreno, culminando numa Grande Guerra.

Olhando agora para o caso especifico da União Europeia, não auguro grande futuro, porque se antes desta pandemia já tínhamos o eurocepticismo anti-UE a crescer significativamente, este vírus vai ser o tónico que faltava para que os governos dos países da UE se tornem mais conservadores, mais proteccionistas, mais nacionalistas, abrindo as portas aos partidos das Direita Nacionais para governarem os seus países. Veja-se o exemplo de Itália, acredito que Matteo Salvini sairá com um crédito político fortíssimo depois desta pandemia, em que a UE será apontada por falta de solidariedade e sobretudo falta de respostas oportunas, eficazes no combate à pandemia. Mas também em Espanha, acredito que o VOX com Santiago Abascal, venha a entrar no próximo Governo Espanhol. Em França a senhora Marine Le Pen poderá ter aqui a oportunidade derradeira para chegar à presidência, e noutros países isto vai replicar-se.

No caso português não será diferente com o partido CHEGA a ter uma representação muito expressiva nas próximas eleições legislativas (antecipadas), acredito que acima dos 10% pelo menos.

Os portugueses à semelhança dos restantes europeus despertaram com esta pandemia e vão optar por partidos políticos que defendem um maior proteccionismo, nomeadamente medidas de controlo das fronteiras de forma mais permanente, ainda que possam estar abertas, mas vão querer ter a autoridade lá presente, para estas situações e até para outras relacionadas com criminalidade. Uma alteração profunda nas regras de acesso ao território pelos aeroportos e portos através de navios de cruzeiro, com controlo muito mais apertado, sanitário e não só.  

Posto isto, o cenário em cada país da UE com a eleição de políticos mais nacionalistas e a opção pelo proteccionismo vai colocar esta UE numa fase de desagregação muito possível, enquanto organização supranacional. A UE e os eurocratas só se podem, mais uma vez, queixar de si próprios pelo completo desleixo, incompetência e inutilidade em relação àqueles que mais precisavam da sua ajuda, como foi o caso de Itália e Espanha nesta emergência. Se tivemos um Brexit sem "contágio", agora à conta de uma pandemia, vamos ter outro tipo de contágio, o contágio político, com países a ponderarem a saída da UE, provavelmente a Itália e a Espanha. 

Tal como tinha referido no meu artigo sobre o discurso de ano novo do Presidente da República, em que augurava o fim da UE, com algo de terrível que viria a acontecer, e que infelizmente veio a acontecer mesmo, também tenho o pressentimento que esta Pandemia poderá ditar o fim desta UE.

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