MARCELINO DA MATA

"Marcelino da Mata sucumbiu à pandemia. O militar português mais condecorado vivo. Já não. Em maio faria 81 anos. Mas afinal quem é Marcelino da Mata?

Marcelino da Mata nasce a 7 de maio de 1940 na povoação da Ponte Nova na região centro da então Guiné Portuguesa (atual Guiné Bissau). Vai para Bissau para tirar o antigo 7º ano (atual secundário) regressado a casa em 1959. Nessa altura o irmão mais velho recebe um postal a convocá-lo para o serviço militar. Decide ir no lugar do irmão e, no final do serviço militar do irmão (na altura o serviço militar era de 2 anos), regressa a casa para voltar ao serviço militar, desta vez em seu nome. Termina a sua formação como condutor acabando, entretanto, por ir para a escola de cabos. Como falava vários dialetos andava sempre em operações pois era utilizado como interprete. Começou a ter experiencia de combate e a estar debaixo de fogo. Por essa altura começou a perceber que para além de não gostar do PAIGC percebeu que o comunismo era prejudicial e que tinha que lutar contra os que atacavam a sua pátria: Portugal. Em outubro de 1963, após ser promovido a 1º cabo ingressa no curso de comandos em Quibala, em Angola. Quando termina regressa à sua terra natal onde começa verdadeiramente as suas façanhas. Centenas de operações (são mais de 2000), à civil, fardado comandando os seus homens (foi promovido por distinção várias vezes), na Guiné, no Senegal e até na Guiné Conacri sempre no encalço dos guerrilheiros que atacavam o seu país. Em 1969 após ter sido agraciado com várias medalhas Cruz de Guerra, recebe a mais alta condecoração: a medalha da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. Protegeu populações inteiras dos guerrilheiros, socorreu unidades regulares do exército, Marcelino fez de tudo um pouco e sempre com o intuito de honrar a sua bandeira: a portuguesa.

Entretanto, dá-se o 25 de abril na “Metrópole”. Percebendo que não teria muito tempo vem para Portugal em maio 1974. Fica colocado na Amadora. Em 18 de maio de 1975 é chamado “RALIS” (Regimento de Artilharia de Lisboa), onde é preso e espancado por elementos da Extrema Esquerda (MRPP). É transferido para Caxias onde permanece durante 90 dias incomunicável, seguindo-se mais 60 dias em regime normal. Em outubro desse ano é libertado tendo que fugir para Espanha, pois tinham a intensão de o levar para a Guiné Bissau onde não seria difícil de perceber que mal lá chagasse seria morto. Regressa a Portugal em 25 de novembro de 1975 após o golpe com o mesmo nome. Assim apresenta-se no Regimento de Comandos. Em 1977 é promovido ao posto de capitão permanecendo no posto até ao ano de 1980 onde passa à reserva extraordinária de em 29 de dezembro de 1980.

Perante este pequeno resumo da vida militar de Marcelino da Mata chegamos à conclusão que existe um sentimento de injustiça. Injustiça porquê? Porque depois de 14 anos a servir a pátria vem para Portugal e o agradecimento é ser torturado. Mas o que terá levado a que isto acontece-se? Por ser negro? Por ser uma ameaça? Sim porque quando foi detido perguntaram-lhe se fazia parte do ELP (Exercito de Libertação de Portugal - movimento anticomunista que surgiu a seguir ao 25 de abril). Ou porque não concordava com a forma como se tinha feito a descolonização? Ou porque o PAIGC, um movimento que surgiu de ideologia comunista em que os seus membros receberam treino na antiga URSS, lhe tinha um ódio de morte? Não podemos responder. O que sabemos foi que um homem simples, que serviu a sua nação não foi tratado como deve ser. Nos EUA, um país recente sem a nossa longa história trata os seus militares como heróis. Veja-se o exemplo de Chris Kyle e a forma como foi sepultado. Que teve direito a um filme.

Marcelino da Mata foi um militar que combateu numa guerra de guerrilha durante 14 anos. Fez coisas boas e de certeza que fez coisas menos boas. O que é importante é que demonstrou virtudes na defesa da sua pátria contra o que considerava uma ideologia que considerava nefasta. Que demonstrou o seu desagrado na forma como foi feita descolonização da sua terra mãe. Que foi espancado sem motivos pela extrema esquerda que estava no poder e que de lá saiu após o 25 de novembro. Está na altura de lhe prestarmos a nossa homenagem. Está na altura de o honrar como ele nos honrou com o seu sacrifício. Não podemos esquecer dos nossos heróis. Sim, porque Marcelino da Mata foi um herói, Marcelino da Mata é verdadeiramente um herói. Merece ser sepultado no Panteão Nacional. Porque serviu a nossa nação. E a nossa nação é Portugal. Obrigada Sr. Marcelino da Mata. "


Texto por VBrandinho.

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