E se a TAP fosse uma estátua?

Atualizado: Ago 26

A histeria contagiante, doentia que um pouco por todo o mundo ocidental levou à remoção de tudo o que representava o colonialismo, também chegou a Portugal, embora com uma expressão praticamente residual. Foi sobretudo nas redes sociais e nos pasquins da comunicação social afectos à extrema-esquerda que o assunto foi aflorado e muita tinta se gastou donde sobressaíram personalidades afectas sobretudo à extrema-esquerda a "defender" a remoção de toda a simbologia e património histórico que directa ou indirectamente e outras sem relação nenhuma, estivessem ligadas ao esclavagismo.


Outras estátuas e monumentos que fazem parte do nosso património histórico e cultural que se reportam a um Portugal Ultramarino também foram alvo da ira da Esquerda, a reboque das convulsões "anti-racistas", "anti-colonialistas" em suma um devaneio "anti-qualquer coisa" ao ponto de afectar algumas marcas da indústria de cosmética, sobretudo daquelas que mencionavam termos "impróprios" como branqueador ou clareamento, que até nisto foram inteligentes no seu departamento de marketing. Porque não?


Continuando nas estátuas, no leste europeu muitos países que sofreram durante décadas a ocupação soviética também se livraram desses símbolos de "prosperidade", mas é em 2016 no sentido oposto que assistimos impávidos em Portugal à inauguração da Rotunda Hugo Chavez no concelho da Amadora, em homenagem a este "grande herói nacional" ditador da Venezuela no entanto já falecido.


Mas podemos falar de outras estátuas como a do Cónego Melo, também esta alvo de algumas intervenções artísticas da Esquerda indignada anti-fascista, a do Padre António Vieira e a de Pedro Alvares Cabral. Todos eles uns "vilões colonialistas".


Mas outros "símbolos" mantiveram-se até aos nossos dias também eles relacionados ás necessidades de um Portugal Colonial e refiro-me à TAP, caracterizada da seguinte forma por um dos netos de Humberto Delgado numa entrevista dada a um orgão de comunicação social: “Portugal era a única potência  colonial que não tinha uma companhia de bandeira. Humberto Delgado assumiu essa tarefa e o desafio enorme de fazer a ligação às colónias, que estavam a mais de 20 mil quilómetros de distância. Em tempo recorde, a ambiciosa viagem inaugural da Linha Aérea Imperial (assim chamada ao gosto daqueles tempos) teve a sua descolagem no dia 31 de Dezembro de 1946."


A TAP foi criada com o intuito de responder a uma das necessidades do império, a de aproximar a metrópole das suas colónias. Não seria a TAP uma ferramenta fulcral para implementar os intentos colonialistas? De mobilidade e de facilitação da ocupação das colónias?


Ora se esta companhia tem uma herança histórica marcadamente ligada ao colonialismo português, não será ela de má memória para a Esquerda tal como são as estátuas?


Ora nesta óptica referencial colonialista não deveria a TAP ter o mesmo destino que as estátuas, pelo mesmo critério histórico? Se a Esquerda fosse coerente, a TAP já teria sido desmantelada. Mas as razões são outras, interesses elevados se sobrepõem e portanto a Esquerda prefere entreter os seus adeptos fanáticos e doentios com coisas mais pequenas, até porque as estátuas não dão tachos como uma TAP nas mãos do Estado.


Quis o destino que a TAP não fosse uma estátua.

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